a vida adulta é uma série de tarefas que você tira a motivação do c* para realizar
Nem todo dia estamos bem. Tem dias que tudo que queremos é passar 12 horas deitado na cama, vendo série, comendo besteira até a lombar doer. Ou talvez pegar um livro para ler às 8 da manhã e esquecer até de comer enquanto devora aquelas 400 páginas sobre um mundo totalmente diferente do seu. Eu admito que passei boa parte da minha adolescência fazendo exatamente isso. Porém, depois que a gente cresce, descobre que mesmo em um domingo que deveria ser o dia oficial da preguiça, precisamos cumprir obrigações.
A louça não vai se lavar sozinha, a roupa vai mofar na máquina se não for estendida e, se não levantar da cama, além da dor nas costas você também vai terminar com uma casa a imagem e semelhança do caos. Porém, mesmo sabendo a importância desses momentos de preguiça, a vida adulta consiste em levantar, se motivar a fazer tudo que precisa para enfim poder deitar no sofá com um livro até a lombar doer.
Hoje está sendo um desses dias. Fiz uma lista mental do que preciso fazer, mas toda vez que passo na frente do sofá, tenho vontade de ser a adolescente de 17 anos que foi morar sozinha e não estava nem aí com a bagunça. Infelizmente, a necessidade de organização vem com a maturidade. Eu duvidada disso quando era mais nova, mas hoje só consigo ficar em paz se vejo minha cozinha limpa, minha roupa estendida e o prazer da gaiola do Rony estar limpa é maior do que chegar no final de um livro.
Mas tudo isso tem um custo. E, geralmente, este custo é o tempo. São dez e quarenta da manhã e eu sigo com a lista de pendências do fim de semana. Colocando metas para terminar tudo pelo menos até 16h, almoçar mais tarde e enfim poder continuar a última temporada de Lucifer que não tive tempo de ver um episódio sequer durante a semana.
Pela primeira vez em minha vida eu sinto que estou tendo uma rotina de acordo com a minha idade. De ver como meus amigos lidam com o misto de querer paz e uma rede, mas também precisar arrumar a casa, o estresse diário e normal do trabalho. E não posso reclamar, sou completamente apaixonada pelo meu trabalho.
Mas esse cansaço que sinto em precisar continuamente me motivar a fazer o que preciso às vezes é o que me faz mais mal. Muita gente está me falando que é uma questão de acostumar. "Vai se tornar hábito, você vai aprender a gerenciar o tempo melhor, vai conseguir fazer tudo sem se sentir tão esgotada". Ainda não consegui acreditar, tudo que sei é que meu planer é meu melhor amigo. Sem ele, eu com certeza estaria esquecendo de fazer coisas importantes.
E, no meio de tudo isso, eu ainda preciso aprender uma forma de me cuidar. De tirar um tempinho para academia, de voltar a escrever para mim, de fazer um curso interessante e nada a ver com minha profissão. De sentir vontade de brincar com o Rony todo dia e não contar ele como uma das mil obrigações.
Ficar atoa não é bom, mas não conseguir desligar o cérebro das obrigações também não é. Ou ao menos aceitar que a louça vai ficar um dia sem lavar, meu escritório vai seguir desorganizado até o próximo fim de semana e que a roupa pode ficar uma hora a mais na máquina enquanto termino o capítulo daquele livro que tem seis meses que tento terminar ou que eu mereço pintar minhas unhas depois de tantas semanas apenas correndo atrás das tarefas diárias.
No fim, seguimos fazendo uma coisa depois da outra, sentindo as pequenas felicidades de cumprir tarefas pequenas e relembrando o tempo que tudo parecia mágica e era tudo bem assistir 22 episódios de uma temporada de One Tree Hill em um único dia. A vida é o que acontece quando chega no fim do dia e deu tudo certo. É saber que está fazendo o seu melhor. E que tudo bem correr para o sofá assim que escrever o último ponto final.

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