Há alguns meses venho ensaiando escrever essas
palavras. Abrir um arquivo do word em um domingo de manhã e deixar que meus
dedos me contem o que eu quero dizer. Dez anos atrás, quando a blogosfera
estava no auge, meu pai falou as palavras que mudariam toda a minha vida:
"você deveria criar um blog".
Foi assim que o Criativo Ativo surgiu. Um espaço
para uma adolescente escrever sobre sentimentos, desabafos, contos e descobrir
o porquê escrever era algo que a fazia tão bem. Entretanto, foi também por
causa do blog que decidi fazer jornalismo. "Eu gosto de escrever, então
deveria fazer um curso que envolva escrita". Parecia óbvio, não é?
Ilusão da garota de 17 anos que achou que a vida
começasse aos 18. E então aos 20. Para chegar aos 25 e descobrir que a vida
dela começou muito antes disso. Começou em uma tarde de janeiro de 2012,
apertando pela primeira vez um botão de publicar do que seria o primeiro de
muitos textos soltos na internet.
Em dez anos a internet mudou. A garota mudou.
Minha escrita mudou. Até mesmo a minha profissão mudou. Jornalista sim,
escritora sempre, mas separar o que gostamos de fazer do que é nosso trabalho é
algo fundamental. O que fazemos das 8 às 18 não é o que devemos fazer em um
domingo de manhã. E, por mais que eu ame escrever, apenas agora entendo
diferenciar que certas coisas dão trabalho, mas não necessariamente são o seu
trabalho. E está tudo bem não transformar aquilo que se ama em trabalho.
Às vezes parece que estes dez anos não passaram. Às
vezes sinto que ainda sou aquela garota que criou um espaço para si mesma na
internet, quando na verdade aqueça garota nem sequer me reconheceria
hoje. Ela iria odiar os óculos que eu tanto amo; teria medo de pegar no Rony
enquanto ele é meu tudo; ainda teria certeza que encontraria um garoto quando
tudo que eu quero é ficar sozinha.
Mas nem tudo está tão diferente assim. Três
blogs, alguns tumblrs, algumas fanfics, um conto e um livro depois, finalmente
retorno à blogosfera. Dessa vez, como em 2012, não quero ter uma linha editorial,
apesar de hoje saber o que isso significa. Como em 2012, crio este espaço com
nenhuma intenção a não ser escrever para mim mesma. Uma meta de escrever nem
que seja 300 palavras em domingo de manhã ou uma sexta-feira a noite, enquanto
me permito ter momentos de preguiça.
Tem seis meses que não escrevia uma linha. Ontem à
noite escrevi. E, diferente de todas as outras vezes que ensaiei voltar, dessa
vez manterei em segredo. Assim como em 2012 não queria que ninguém descobrisse
quem eu era por trás daquela página, hoje recomeço timidamente. Recomeço com um
falso compromisso comigo mesma. Como uma forma de terapia. Uma forma de reconectar
àquela garota que parecia saber tanto quando na verdade não fazia ideia do que
estava fazendo.
Hoje, eu mentiria se dissesse que não sei o que
estou fazendo. Ainda não sei para onde estou indo, mas sei que estou no lugar
certo. E, por isso, está na hora de voltar para a internet. De me permitir
escrever, sonhar, viver. De me permitir recomeçar.
Em um mundo em que passo o dia inteiro em redes
sociais trabalhando, sinto a necessidade de sair do Instagram, entender que nem
tudo pode ir para o Twitter e fechar o Tiktok que tanto me relaxava e hoje só
me faz pensar em trabalho. Transformar aquilo que se ama em trabalho e você não
vai ter nada mais para si.
Por isso, e pela vontade de voltar a escrever primeiramente para eu mesma antes de pensar em um público. Pela vontade de escrever o que quiser antes de criar um plot twist. Pela vontade de não ter que ter um tema antes de narrar a mais nova polêmica do mundo esportivo, hoje começo o dear future me. Uma carta em formato de blog e memórias para o meu eu de 30, 35, 40 anos e mais. E também para a de 17, 18, e 20, que me fez chegar até aqui.

2 comentários
Ahhhhhh amei que você finalmente voltooooou. Vou amar acompanhar essa nova etapa ♥
ResponderExcluirA gente aparece a cada mês mas obrigada <3
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