Quem nunca ouviu uma música e logo pensou: eu poderia ter escrito isso? E logo em seguida as músicas daquele artista passaram a parecer terem sido escritas especialmente para você. Eu poderia ser técnica, falar sobre público alvo, como todo produto midiático é produzido para um público específico. Mas vou deixar a Júlia comunicóloga de lado por um momento.
Nestas últimas semanas, estou (um pouco) hiperfocada em Louis Tomlinson. Isso significa que só estou conseguindo ouvir as músicas dele, estou passando mais tempo do que o recomendado no TikTok vendo videos da Louis Tomlinson World Tour e, talvez, até mesmo lendo teorias sobre Larry (lembrete: tudo bem fanficar, mas respeite seu ídolo e as famílias/relacionamentos dele). E, talvez por uma mega coincidência, o Louis anunciou seu novo álbum justamente quando cheguei aqui. Bigger than me, o primeiro single da nova era, foi lançado no dia 2 de setembro e assim que eu ouvi só pude pensar: cara, eu poderia ter escrito isso.
Uma melodia que fala exatamente o que eu ando pensando. Palavras e sentimentos que passei meses tentando encontrar a forma certa de manifestar. O sorriso falso que venho dando, a ansiedade que me impede de dormir à noite, a certeza que eu tinha que não iria mudar quando me vejo sendo uma pessoa totalmente diferente de quem eu era um ano atrás.
Gosto de pensar que nem tudo acontece por acaso. Algumas coincidências estão ali um formato de sinais; significados, mensagens, notícias que o universo nos manda para seguirmos em frente. E, em outros casos, essa coincidência chega em um formato de conforto. No caso de Bigger than me, para mim foi um conforto. Uma melodia tão minha, com uma letra que mandou um recado direto para meu coração: está tudo bem ser você, continue não dando tanto ouvido aos outros.
O mundo não gira ao seu redor e está tudo bem. Está tudo bem ser você, mesmo que os outros estranhem, que conversem pelas suas costas. Está tudo bem gostar das mesmas músicas de dez anos atrás, de preferir assistir um seriado do que passar a noite na rua. Está tudo bem se sentir sozinha mesmo rodeada de gente. Está tudo bem.
Eu tenho muitos defeitos, e quem não tem? Mas, dois deles é que não lido muito bem com mudanças e tenho muito medo quando elas chegam, mesmo que seja da minha escolha, mesmo que seja para melhor. Demorei seis meses para me confortar com minha última mudança de cidade, mesmo estando feliz com ela. Demorei semanas para conciliar o Harry aqui em casa. Chorei por me mudarem de tema no trabalho. Não porque não me sentia capaz, mas porque iria ser uma mudança e eu não estava afim de passar por ela. Bem, o medo e a insegurança não me levaram a lugar nenhum porque três meses depois estamos aqui, completamente adaptada à nova realidade.
Ao ouvir Bigger Than Me, tudo isso passou pela cabeça. Até mesmo as mudanças que eu tinha certeza que não viriam. Aquelas ideias e conceitos enraizados que, de repente, estão dando espaço para novas ideias. Coisas que eu não imaginava nunca que iria querer e me pego pensando “e se?”. Coisas que acontecem sem que a gente tenha controle, porque somos apenas um grão de areia na infinitude do universo. O planeta gira, as pessoas julgam, a gente muda. E saber reconhecer que não precisamos mais ouvir opiniões nem justificar as nossas escolhas, me faz sentir mais forte. Mais adulta, mas corajosa de enfrentar as mudanças que eu não escolhi. E até mesmo as que eu procurei.
O novo álbum do Louis se chama Faith in the Future. E eu acho que nunca antes tive tanta fé no futuro. Nunca antes estive tão empolgada com o que pode acontecer, com as mudanças não programadas. Nunca estive tão ansiosa em ver o que pode acontecer. E aceitar que, mesmo com medo, é inevitável. E, assim, mais uma vez, busco aquele conforto em seu fã, em ter algo com o que ser fã.
'Cause yeah, I might have changed but everybody does
Assistam o vídeo maravilhoso dessa música, com um aesthetic que deixou meu coração quentinho.


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