Parece clichê dizer isso, mas sempre me assusto com o tão frágil a vida é. Ontem fiquei sabendo que uma vizinha faleceu, uma pessoa cheia de vida, que se cuidava, cuidava de diversas pessoas ao seu redor e então “puf”. Um sopro totalmente inesperado. Eu não lido bem com notícias assim. Quer dizer: quem lida? Mas depois de já ter enfrentado tantos problemas de saúde e ainda estar aqui, não consigo deixar de me perguntar o porquê. O que ainda preciso aprender para seguir nesse plano?
Meu pai esses dias disse que eu deveria entrar para um convento se é assim que eu quero viver: isolada, trabalhando a semana toda sonhando com a paz e aconchego do sofá no domingo. Isso me pegou porque, apesar de amar essa rotina e, muitas vezes precisar do aconchego do meu sofá, nunca antes me senti tão só. Às vezes sinto que minha vida não é real.
Tomo decisões que parecem pertencer às páginas de um livro. Vivo coisas e não as sinto. Não parece real. E o pior, consigo entender porque meu pai disse isso e não acho que ele está errado. Ando sem grandes objetivos, não levo à sério as metas que fiz para mim mesma. Não consigo me obrigar a fazer coisas básicas como comer direito, ler um capítulo de um livro que estava amando. Ir na academia marmar uma aula experimental. Coisas que eu quero fazer, que sei que vão me fazer sentir melhor e simplesmente não faço.
Hoje vi um vídeo meu e não reconheci o meu corpo. A voz é a minha, os fatos são meus, mas não me vi ali. Não senti o Rony sendo meu. Não foi nem sequer me sentir feia, apenas não parecia a mesma pessoa sobre quem eu sou e minha imagem ali. Estou cansada de me sentir assim. Estou cansada de me esconder e não estar vivendo.
Quero fazer minha tatuagem e ficar tudo bem. Quero olhar no espelho e me ver ali. Quero ter coragem de me vestir com as roupas que eu gosto. Quero me alimentar direito porque me faz bem e não porque sou obrigada. Não quero me sentir tão cansada, ou tão diferente. Quero ser a garota que sempre vi e não corri atrás. É pedir demais me permitir viver para mim mesma e não porque preciso cumprir um papel?
A vida é um sopro. Hoje estamos aqui, amanhã quem sabe? Preciso ser mais corajosa e viver a minha vida. Todo aniversário dos meus amigos eu desejo que eles tenham um novo ciclo nesse novo ano que começa. Recebo os meus 26 exatamente assim: cheia de mudanças que quero fazer por mim mesma, mas pequenas às grandes. Cheia de esperança que finalmente estou desgrudando de tantas certezas que cresci ouvindo e construindo a minha própria personalidade. Que de fato esse seja o início de um novo ciclo.
Deixo aqui uma música que está falando comigo sobre acreditar em si mesmo e ter coragem de ser você mesmo.


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